Sessão Parental: Desenvolver a Responsabilidade Pessoal desde a Infância 

Fomos educados para obedecer – ou, em oposição, para desobedecer.

Mas será que estas são as únicas duas opções que conhecemos?

E se ambas gerarem conflito –  interno ou nas relações?

E se existisse um outro caminho?

A responsabilidade pessoal convida-nos a sair desta dualidade.

É um caminho onde cada pessoa deixa de reagir e passa a escolher, de forma consciente, alinhada com os seus valores.

Há uma distinção que raramente fazemos com clareza, mas que muda muito a forma como nos relacionamos com os nossos filhos: a diferença entre responsabilidade social e responsabilidade pessoal.
A responsabilidade social é aquela que temos uns para com os outros, a que aprendemos em família e na comunidade, a que nos permite viver juntos. A responsabilidade pessoal é outra coisa, é a responsabilidade que cada um tem pela sua própria vida, pelas suas emoções, pelos seus limites, pelas suas necessidades. E é esta última que raramente ensinamos, porque raramente a exercemos nós próprios.

Durante décadas, foi comum que os pais assumissem a responsabilidade pessoal dos filhos, gerindo o que eles comem, como dormem, o que vestem, como se sentem, esperando que por volta dos catorze anos essa capacidade surgisse naturalmente. Esta expectativa é paradoxal, porque não se aprende a ser responsável por si próprio quando alguém faz isso por nós.

Esta sessão parte desta observação simples e explora o que significa, concretamente, devolver às crianças e aos jovens a responsabilidade que lhes pertence, de acordo com a sua idade e as suas capacidades reais. Não como exigência, não como punição pela dependência criada, mas como um gesto de confiança, que reconhece na criança um ser capaz, que merece ser levado a sério.

Falaremos sobre o que é razoável esperar de uma criança de seis anos, de uma de doze, de um adolescente de quinze, não como lista de obrigações, mas como mapa orientador para pais que querem uma relação mais honesta e menos esgotante com os seus filhos. Quando gerimos aquilo que não nos pertence gerir, esgotamo-nos, e os filhos sentem esse esgotamento como culpa, mesmo sem saber porquê.

Falaremos também sobre o que acontece quando um adulto começa a exercer a sua própria responsabilidade pessoal, quando aprende a dizer não quando precisa de dizer não, quando comunica os seus limites de forma clara e tranquila, quando deixa de fazer aquilo que o irrita e depois culpa os filhos por isso. Esta mudança transforma o ambiente familiar de forma mais profunda do que qualquer técnica.

Haverá espaço também para irmos mais longe na compreensão do que significa realmente ser responsável e se existe ligação entre a responsabilidade social e pessoal.

Porque  “um bom cidadão não é necessariamente um bom ser humano; mas um bom ser humano só pode ser um bom cidadão”.

A sessão será conduzida por Ivone Apolinário, coordenadora da comunidade de aprendizagem O Mundo Somos Nós, e é aberta a pais, educadores e professores que queiram explorar estas questões com tempo e atenção.

Para informações e inscrições, contacte-nos através de info.omundosomosnos@gmail.com

Data

16 Mai 2026

Horário

11:00 - 13:00

Organização

Ivone Apolinário
Ivone Apolinário
Website
https://www.ivoneapolinario.com

Ivone Apolinário é cofundadora da OMSN e coordenadora geral da Comunidade de Aprendizagem. O seu percurso tem sido marcado pela exploração de diversas abordagens educativas, com especial foco no pensamento do filósofo e educador J. Krishnamurti, cuja visão inspira profundamente o projeto O Mundo Somos Nós. Formou-se com o pedagogo dinamarquês Jesper Juul, no curso Seminar Leader and Parental Coaching do Family-Lab International (Suécia), e com Ivana Jauregui, numa formação dedicada ao tema Regras e Limites na Educação.

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